2.09.2009

A noite é a base

do dia.


O dia eu não sei como seria sem essas noites vazias. Olho impetuosa minha cara nas fotos, desleixo visual, roupas que não me cabem mais, semblante que não me cabe mais. Desabrocho sensações esquecidas anos atrás, saudade, vontade, mentira interna e voraz. Já não me cabe mais os dias. Não sei como seriam as noites sem essas manhãs tão vazias. Divagações solitárias de perguntas diárias e ainda não sei vinte-e-três–anos–depois como é gostar de ser. Olho indignada outras caras nas fotos, de antigos, por que não sou eu? Porque não sou. Nem gosto de ser. Deixei o ser. E agora tento descobrir o porquê de sê-lo, a razão de tanto deszelo e o motivo de tanta admiração. Eu me odeio, e ah, não gostaria, não queria, abstinência de ser, santo Deus exista e me diga o que posso fazer. E é justamente por isso, tanta reclamação, tanta, tanta, e é tanta coisa irritante que acabo odiando, exasperando meu pequeno espírito nem um pouco evoluído. E assim minhas fantasias se concretizam: eu, sou eu, eu a vazia, reclamação personificada, intolerância diária, eu a burra enfeitada de sentimentozinhos, a sofredora insensível. E eu não sei como seriam as noites sem minhas tardes vazias.

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