do cinema vim pra casa pensando. Não que eu nunca o faça, mas foi sem preocupações. Era um deslumbramento com aquele filme maluco. Que me fez pensar em sonhos. Em idéias. Em coisas plantadas que nunca saem da cabeça. Pensar loucamente até que numa esquina ouvi a banda. Era uma garagem com placa de não estacione, muito bem, depois da olhadela pra dentro daquele vidro torto eu resolvi sentar em frente. Do outro lado da rua eu conseguia ouvir aquela banda meio doida. Antes disso enquanto eu descia passei os olhos por dentro do sobrado, lá em cima era meio escuro, mas pela janela avistei o John Lennon pendurado. Era uma foto bonita de um sorriso dele, meio cabeludo e parecia estar sem óculos. Super novidade, nunca vi foto assim sem óculos. Será que ele mora ali? Pensando nisso também ouvi a música fingindo mexer no celular. É que as pessoas passavam por mim e eu não queria chamar atenção. Logo em frente havia um bar com senhores que pareciam gostar da música, alguns até ficavam em frente mexendo os pés com a cerveja na mão. Eu achei que era sua voz, por isso desci. Era ou não era você? Por isso sentei. Jurava que era. Jurava que não queria te ver, só ouvir. Só te sentir por perto. Mas não era você. Acho que não. Então resolvi voltar com pensamentos em você, inventando histórias internas com seu violão e uma bicicleta de cada. Era um lugar de se ver o pôr-do-sol. Lindo, de sentar e fumar. E admirar. Você aparecia, calmo e passivo como de costume. Cantava algumas palavras feitas pra mim há muito tempo. Eu gostava. Quanta emoção. E como sempre em meus pensamentos te levei pra casa. Mas ao abrir a porta te esqueci. Você não entra aqui, eu não gosto. Prefiro lá fora, com todo aquele vento e aquela vista. Aqui dentro só escrevo às vezes pra dizer que sempre te lembro, mesmo sem você saber quero dizer que tenho saudade. Saudade só de te sentir por perto, nem que seja por pensamento.
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