Nos momentos vagos - às vezes quarta de noite, sábados quase nunca e todos os domingos - são vividos por ela como se fosse uma escritora. Sentada nos cafés, imersa na movimentação das livrarias, gasta horas alternando letras místicas e fotografias.
Pensa entender a vida que a envolve e revolve.
"Não há reflexões profundas do que se é. Pensa:
Eu me resumo.
Em ser o que faço...
e me esqueço.
Não faço o que sou, tenho medo do mundo e levo uma vida medíocre
- muitas vezes paralela -
em que o único tempo que tenho pra mim
- às vezes quarta, sábados quase nunca e todos os domingos -
passo mergulhada no café, cinema e cadernos cheios de letras escritas de próprio punho."
Nesse tempo também consegue pensar em compartilhar os sentidos, as coisas boas, o que vem de dentro. Aí escreve roteiros com final de ruído de bicicleta, garota afobada subindo as escadas... sentada na mesa pontualmente iluminada segura a caneta que agora no papel faz sentido.
Olhos arregalados demais pra final de filme.
Ela - com dor nas costas e saudade - fecha seu caderno às 17:54 de domingo e vai para a próxima sessão.
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